Às nove, os dois se olharam
Às nove e dez se falaram
Lá pelas dez se beijaram
Às dez e meia, fugiram
Às onze e três se casaram
Onze e um quarto, deitaram
Às onze e meia se amaram
Ou, pelo menos, fingiram
Uma vida inteira
Numa noite só
História verdadeira
Até o nascer do sol
À uma e quinze, cansaram
Dormiram e não sonharam
Depois das três, acordaram
Nem eram quatro e saíram
Às quatro e pouco ainda riram
Às quatro e tanto, calaram
No carro, mal se tocaram
No fim, nem se despediram
Uma vida inteira
Numa noite só
História verdadeira
Até o nascer do sol
E logo estava esquecido
Pensando bem, faz sentido
Os dois felizes pra sempre
Até baterem as cinco
Felizes pra sempre
Até que bateu…